Especialistas alertam que tributação dos mais ricos pode não ser suficiente para compensar isenção do Imposto de Renda

Especialistas alertam que tributação dos mais ricos pode não ser suficiente para compensar isenção do Imposto de Renda

O governo federal está finalizando uma proposta para compensar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais. O modelo já foi aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve ser apresentado em breve.

Entre as ideias em discussão, está a criação de um imposto mínimo para aqueles com renda superior a R$ 50 mil por mês. No entanto, especialistas apontam que essa medida pode não ser suficiente para cobrir a perda de arrecadação da isenção, que está estimada em cerca de R$ 40 bilhões.

Em entrevista à CNN, o economista Luciano Costa, da Monte Bravo, afirmou que a tributação dos mais ricos pode não gerar arrecadação suficiente, já que o número de pessoas nesse grupo é relativamente pequeno, cerca de 100 mil contribuintes.

“Esse imposto sobre esse grupo provavelmente não será capaz de cobrir totalmente o custo da isenção”, disse Costa. Ele também ressaltou que categorias como servidores públicos e trabalhadores CLT com altos salários podem ficar de fora da nova tributação.

Dessa forma, se a arrecadação não for suficiente, o governo poderá precisar buscar outras alternativas, como aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos ou elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Porém, essas mudanças podem gerar distorções no mercado.

Uma outra possibilidade é a tributação de dividendos, mas essa proposta enfrenta resistência jurídica e política. Costa ainda explicou que, como as empresas já pagam impostos sobre o lucro, a taxação dos dividendos poderia ser vista como uma tributação dupla.

Com um Congresso historicamente contrário a aumentos na carga tributária, especialistas alertam que essa questão exigirá intensas negociações e deve ser um dos principais debates econômicos do ano.

O que é a isenção do IR?

A isenção do Imposto de Renda é a dispensa do pagamento desse tributo para determinadas pessoas físicas, geralmente com base na sua renda ou em situações específicas.

Atualmente, estão isentos do IR os contribuintes que recebem até R$ 2.259,20 por mês, considerando o desconto simplificado. No entanto, o governo federal pretende ampliar essa faixa para até R$ 5 mil mensais, diminuindo a carga tributária sobre os trabalhadores de menor renda.

Além disso, há isenção para:

Pessoas com doenças graves previstas em lei, como câncer e AIDS;
Aposentados e pensionistas que recebem até um limite determinado;
Alguns rendimentos específicos, como indenizações trabalhistas e bolsas de estudo.

A ampliação da isenção do IR beneficiará milhões de brasileiros, mas também reduzirá a arrecadação do governo, que precisará buscar novas formas de compensar essa perda, como a tributação dos mais ricos.